domingo, 12 de dezembro de 2010

PIG faz alarmismo sobre Ajuste Fiscal

Reproduzo texto publicado originalmente em 12/12/2010 no blog "Os amigos do Presidente Lula" .


O Brasil crescer em torno de 5% no ano que vem, é motivo para alarmismo?

O futuro governo rever em 2011 algumas políticas anti-cíclicas adotadas durante a crise internacional, como forte aumento do gasto público, cujos efeitos já surtiram, é motivo para alarmismo?

O governo retomar a trajetória de diminuição da dívida em relação ao PIB, que vinha ocorrendo ano a ano até 2008, é motivo de alarmismo?

O ministro da fazenda Guido Mantega, em recente apresentação falou que fará uma CONSOLIDAÇÃO Fiscal. Em sua apresentação disse e estava escrito "Não é o famigerado AJUSTE Fiscal do passado", e mostrou que a meta é crescer 5,5% no ano que vem.

Só porque o Brasil crescerá acima de 7,5% este ano não significa que 5% ou 5,5% no ano que vem seja um mau número. É uma desaceleração, mas continuará com um crescimento forte e sustentável de 5%.

Mas bastou uma resposta dizendo que haveria cortes de verbas nos ministérios, e que o PAC iria desacelerar, que uma marolinha virou tsunami na imprensa demo-tucana, como se estivéssemos à beira de uma recessão. É esse o tom do noticiário que contamina muita gente.

O governo Lula teve que intervir mais na economia em 2009 para fazer a crise ser marolinha. O governo gastou mais e arrecadou menos. Teve que se endividar mais, e aumentar seus próprios gastos. Teve obras do PAC que passaram a ser executadas em 3 turnos para absorver mão-de-obra. Agora em 2010 tinha que apoiar a retomada forte do crescimento, e apoiou.

Em 2011 é natural um freio de arrumação. Não é preciso que o PAC tenha obras executadas em 3 turnos. Nem todas as obras do PAC II precisam iniciar em 2011. O plano de crescimento sustentável do Brasil está previsto em 5,5% (excelente para gerar empregos, aumentar a renda, e para a indústria nacional conseguir atender o mercado interno). Não há razão para forçar um crescimento maior, caso comprometa a distribuição de renda, caso corroa o poder aquisitivo com a inflação, e caso o crescimento for "artificial", através do consumo de importados (se as exportação não compensarem).

É natural também que, em início de um novo governo, seja uma excelente oportunidade para uma revisão nos gastos de órgãos públicos, e melhorar a qualidade destes gastos. Pode-se rever contratos, e até criar condições melhores para o funcionalismo nos próximos anos, revendo terceirizações, por exemplo. O presidente Lula também fez isso no início de seu governo (só que naquela época foi obrigado, não era uma escolha). E o governo conseguindo conter o crescimento da despesa neste primeiro momento, reduzirá a relação dívida/PIB e a taxa e gasto com juros da dívida.

Dirigir a economia é planejar e corrigir rumos. Em 2007, no lançamento do PAC 1, o crescimento previsto para 2009 e 2010 era 5%. O crise internacional bagunçou o planejamento. Em 2009 a economia chegou a decrescer (-0,2%), em compensação em 2010 o crescimento está acima do planejado (7,5% ou mais), como também aconteceu em 2007.

O alto crescimento de 2010 é muito devido ao consumo das famílias. A produção industrial não acompanhou ainda esse crescimento, e acaba causando o consumo de importados (o que não é sustentável, se não exportar na mesma medida - e a maioria dos países do mundo ainda estão se recuperando da crise para importar mais do Brasil, e ainda entraram em guerra cambial). Por isso é preciso inverter essa lógica. Baixar incentivos ao consumo (não é eliminar, é apenas reduzir o volume, perseguindo o crescimento de 5% na economia no ano que vem), e aumentar incentivos à produção industrial. É o quadro do momento. Mais adiante, quando a indústria tiver maior capacidade de produção e de suprir o mercado interno, será hora de voltar a aumentar o incentivo ao consumo de novo.

Além disso, quando há mais gente querendo consumir do que produtos produzidos, os preços sobem, a inflação aumenta. E não adianta brigar por aumento da renda e dos salários de um lado, se a inflação anula do outro.

A situação econômica do Brasil é muito boa. Tem ajustes pontuais a fazer, como sempre, e no governo Lula também teve que fazer diversos ao longo dos 8 anos. Não há razão para alarmismos, e sim para muita confiança nos próximos 4 anos. Só não dá para querer que tudo seja feito em um ano, em 2011.

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